janeiro 20, 2012 | em: exposição
Expo Garagem Ocupada
O nome deste projeto não poderia ser mais adequado. Primeiro e mais óbvio, pelo aspecto literal, pois uma garagem na Vila Madalena se tornará palco de uma exposição. Segundo e mais interessante (portanto, principal), pela figura de linguagem construída por seis corajosos fotógrafos. A garagem é o local de uma edificação que fica no subterrâneo, nas profundezas das escavações. Nesse sentido, o que Daniel Marques, Giuliano Springhetti, Marcia Varanda, Marcos Varanda, Renata Biderman e Vicente de Carvalho fizeram foi exatamente isto: ir atrás e descobrir os seus próprios subterrâneos, suas verdades e transformar esse encontro em imagens fotográficas.
Este projeto começou há um ano e meio quando, ainda iniciantes na fotografia, resolveram estudar no curso Autoral I que ministro no MAM-SP (Museu de Arte Moderna). De lá para cá, descobriram que lidar com o processo de criação é muito mais difícil e lento do que imaginavam. Sofreram, brigaram, resistiram e, depois de um ano e meio, apresentam o resultado de tanto esforço, ocupando a garagem de um prédio comercial, mas também aquela metafórica.
O resultado que se instala na parede desta garagem vai além de ensaios fotográficos, fala de verdades interiores e de coragem, muita coragem. Por isso, sinto-me honrado por ser depositário dessa confiança no auxílio de um projeto de imersão nas próprias almas e ter podido ajudá-los em uma aventura que, antes de qualquer coisa, busca a própria descoberta, suas verdades e potências.
A cidade de São Paulo é o pano de fundo, o tema que serve somente para materializar questões que vão além de uma forma de olhar e se relacionar com o espaço urbano e público. Investigam as próprias formas de ser, estar e se relacionar com este local e com seus moradores. Expressam, assim, um pouco mais de si próprios, pois o fotógrafo é aquele que se utiliza das paisagens externas para, na verdade, expressar e falar das paisagens internas.
Daniel, com suas arquiteturas de um tempo desconhecido; Giuliano, que se aventura na construção de uma cidade virtual, imaginária; Marcia, retratando criadores e moradores de olhares atentos; Marcos, com as contradições e situações sem sentido de uma cidade de consumo; Renata, que viaja por um mundo em explosão vulcânica; e Vicente, com a cidade que representa o vazio da alma que suas ruas e esquinas nos arremessam.
Enfim, cada um desses “garagistas” tem um percurso enorme pela frente, mas todos eles têm uma certeza dentro de suas almas, conquistaram um espaço permanente de pesquisa e criação: a própria existência.
Marcelo Greco












